quarta-feira, 12 de maio de 2010

[Um banho de chuva...]

E chove nessa cidade, aqui de dentro ouço os pingos da chuva baterem no ar condicionado, não me aguento e abro a janela para admirar a água.
Que vontade de sair daqui e tomar um banho nessa chuva linda, sei dos desastres que surgem com ela, mas não se pode negar que ela é maravilhosa.
Chuva, continua caindo, não sei o motivo de sentir tanta coisa boa vendo a água que se derrama lá de cima, sei que gosto e ponto!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

[Estou com medo, tive um pesadelo...Só vou voltar depois das três]

Ontem foi o domingo de dia das mães, pensei na minha mãe e em todas as mães que eu tenho e que eu conheço, passei o dia com elas, conversamos e rimos, comemos horrores, lavamos a louça várias vezes e então me veio a ideia, depois de muito tempo pensando o oposto, de que ser mãe deve ser bom.
Não curto muito perder o controle das minhas coisas e da minha vida e por isso sempre pensei que a maternindade se tornaria de uma hora para outra um descontrole total, pois colocamos no mundo um ser humano que controlamos no início, mas que não vem com manual de instruções e certificado de garantia, ou seja, vou reclamar pra quem?
A televisão nessa época de paranoia consumista só piora mostrando os comerciais recheados de bebês fofinhos e roliços, com suas risadinhas amáveis criando a falsa sensação de que aquilo tudo é só isso: maravilhoso, gratificante... Chega a dar até vontade de repensar toda minha vida e incluir uma miniatura minha nos meus planos futuros.
Mas e as minhas dúvidas, as minhas vontades, os meus sonhos, onde que eles ficam? Quando uma fêmea abre a boca e profere a ideia de que não pensa em ter filhos é vista com um pouco menos de nojo do que um pobre cãozinho sarnento, será que isso é ainda tão grave na nossa sociedade?
Parece nobre e até soa muito lindo querer dividir o próprio corpo com aquela obra da nossa engenharia pessoal, fornecer metade do DNA, abolir as noites de sono, amparar os dias de dor de ouvido, e isso tudo na fase mais bacana que é quando eles não sabem falar ou xingar. Mas e na adolescência? Eu fui adolescente, ninguém me contou, que fase maldita pra quem vive porém para quem vive essa fase, mas já passou dela, ou seja, para os pais, deve ser como ir para o inferno em vida ou coisa pior.
O pouco que posso concluir desse impasse existencial é que algumas mulheres nascem para ser mães, outras para não ser, algumas aprendem mesmo sem ter jeito no início, outras nunca aprendem nada virando filha dos filhos e tem a classe que jamais deveria ter posto uma cria no mundo por incapacidade psicológica, mas tem coleção de rebentos, enfim, não há lei absoluta, cada caso é um caso.
Apesar de tudo isso confesso que as portas não estão totalmente fechadas para essa ideia, sei lá, daqui a alguns vários anos, o apartamento pode ficar muito vazio, muito silencioso, com as paredes muito sem riscos de giz de cera...Quem sabe...

_____________________________________________________

Uma ressalva sobre a adolescência: não estou cuspindo no prato que comi, curti muito minha fase maluca de festas, de neuroses sobre quem sou e para onde vou e das paixões lancinantes, mas quando falo sobre a maldição dessa etapa é justamente sobre as inquietudes e os milhões de dúvidas que pairam na cabeça de toda criatura nessa idade, situação que afeta o jovem e todos ao seu redor (leia-se: pais e/ou responsáveis) .Fora isso, é, sem dúvida, a fase mais divertida da vida, mas isso pra quem sabe se divertir! =P

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Um dia...

Um dia eu vou fechar a porta de casa e ouvir somente o que e quem eu quiser ouvir, se quiser.
Um dia eu vou tirar as férias inesquecíveis com a maior distância de Porto Alegre que nunca estive.
Um dia vou receber meu diploma e me tornarei tradutora, uma profissão não reconhecida nesse mundo.
Um dia vou ter um carro a álcool e vou dar o grito de independência de uma vida inteira de transporte coletivo.
Um dia, não sei quando, eu vou lembrar de hoje e pensar que sonhava sonhos possíveis. 
=)

domingo, 25 de abril de 2010

[Someday I'll be Saturday night]

A chuva cai lá fora, aqui dentro ouço o barulho da água acumulada nas telhas que vão pingando e penso que o tédio do domingo seria facilmente resolvido se as segundas feiras fossem abolidas como dias úteis, pois se teria a sensação de que o findi ainda não estaria terminado e que ainda restaria mais umas horas para se colocar em dia alguns assuntos.
Essa coisa de programar o despertador do celular tem a maior cara de que a semana chata está para começar, que os ônibus nos esperam nas avenidas da cidade, que os bares e restaurantes onde almoçamos estarão cheios de calor humano e lerdeza quando precisamos de agilidade para não nos atrasar, ou seja, aquela maravilha toda da correria habitual dos humanos do mundo capitalista.
Ah, se eu pudesse só passar a noite ouvindo os pinguinhos da chuva com a cabeça encostada no meu travesseiro!
Mas esse é o jogo, a vida não é um ensaio, ela é exatamente o tempo que decorre entre os dias menos importantes da nossa existência: o de nosso nascimento e de nossa morte, menos importantes, pois sobre eles não temos controle algum então nem vamos perder nosso já restrito tempo com eles. 
Sobre os dias que podemos escolher nossas ações é que temos que pensar mais,e reclamar menos, e criar nossas alternativas para maior agilidade e organização, e para ver o sol  ou admirar a chuva, podemos nos rebelar de vez em quando, mas nunca pensar que nada disso vale a pena.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Feliz dia do Livro!

Hoje é o dia do livro, mas não vou me ater a discussões sobre a importância da leitura e da literatura na vida das pessoas, pois isso seria um argumento muito tedioso para um dia cinza como hoje.Quero falar sobre o quanto amo os livros, sobre o quanto gosto do cheiro deles, sobre tudo de bom que me vem à mente quando penso neles.
Fui acostumada desde pequena a adorar esses objetos de papel. Lembro do meu pai chegando do trabalho e em suas mãos estava o instrumento que me faria despertencer a um mundo vazio, meu pai foi quem me deu asas para voar. Dele recebi, além de 50% do meu genoma, o gosto e o amor pelos livros. Ainda antes de ser alfabetizada, lembro de receber de suas mãos os livros de contos de fada dos quais tomava conhecimento pela voz da minha mãe. Será que nessa época eles imaginavam o quanto esse hábito da leitura mudaria, ou melhor, daria uma razão à minha vida?
Me considero uma pessoa letrada, amante das letras, mas sem preconceitos contra novela, futebol e tipos de literaturas consideradas menos valiosas, o que sei é que gosto de ler tudo que me atrai, que me diz coisas boas, que me ensina sobre outros mundos, outras épocas, outras ideologias, gosto de me perder entre personagens e situações e depois voltar, lentamente, ao mundo real.

domingo, 18 de abril de 2010

[Some girls won't dance to the beat of the track]

Quando a vontade de chorar invadir sua alma, mesmo sem motivos aparentes, deixe a lágrima rolar, não pense muito, não traia seus sentimentos, chore bastante até lavar a alma e depois, como se nada tivesse acontecido, retome a vida do ponto onde foi interrompido.
Quando pintar aquele outro olhar que bate no seu e fecha todas, não desvie seus olhos, sustente a mira e deixe que o brilho do seu olhar fale por si só. Depois a gente vê no que dá.
O mesmo vale para todas as tentativas de ser feliz e de encontrar gente boa nesse mundo, não se prive das boas companhias nem dos ótimos diálogos, sérios ou engraçados, ou ambos. Fui aprendendo isso nessas últimas semanas, me dei a liberdade de interagir com pessoas novas e sabe de uma coisa? Tô amando. Não sei até quando minha sociabilidade positiva irá durar, mas isso, no momento, não importa.
O que me importa agora é rir, estudar, trabalhar, amar, falar muito mais do que estava habituada, andar pela cidade nas tardes menos quentes sempre que possível, essas coisas que são simples e ninguém ,geralmente, dá muita importância. Vou ser feliz e já volto!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

[Hoje não dá, não sei mais o que dizer e nem o que pensar]

Em casa à noite ela pensava em como seria se os dias amanhecessem sempre cinzas, sempre com aquela cor pálida, será que seria mais melancólico e por isso, talvez, mais alegre? Porque ela gosta dos dias cinzentos.

No ônibus ela pensava sobre o motivo das pessoas que se sentam no lado direito do banco, ou seja, no corredor, sempre dormirem e quem fica preso, sentado no lado da janela ter que fingir que tosse ou que mexe na bolsa para, indiretamente, cutucar a criatura adormecida e assim conseguir descer na sua parada.

No caminho entre o prédio da letras e o da química, em busca do café da manhã de todas as manhãs (Chaves, oi?), ela pensava por que se toma tanto café na faculdade e que desse jeito não há creme dental branqueador que faça milagres.

Na sua sala do trabalho ela pensava em como os joelhos doem quando se passa tanto tempo sentado e ao mesmo tempo em como eles doem do mesmo jeito quando se caminha muito.

Na frente do note, escrevendo, ela pensa que só pessoas desocupadas pensariam tantas coisas inúteis como essas embora só pessoas com muito o que fazer e sem vontade de ler tratados de linguística sobre semântica é que compartilhariam semelhante nulidade em um blog fazendo as pessoas leitoras gastarem seu tempo em vão.

De nada. =P